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Artesanato quilombola: taboa, cipó, fibra de bananeira e bonecas abayomi

O artesanato quilombola nasce do que o território oferece: fibras do brejo, cipós da mata, palha, barro, madeira, sementes e retalhos de tecido. Por muito tempo, ele foi antes de tudo coisa útil, o cesto da colheita, a esteira de dormir, a vassoura, a peneira. Hoje também é arte, memória e renda para muitas comunidades.
Materiais e técnicas
Cada comunidade trabalha com o que tem por perto, por isso o artesanato muda muito de uma região para outra. Alguns exemplos conhecidos no Brasil:
- Cestaria de cipó, taquara, palha e fibras, para cestos, balaios, peneiras e tipitis.
- Trançados de taboa, planta de brejo cujas folhas secas viram esteiras, bolsas e tapetes.
- Fibra de bananeira, tirada do tronco da planta depois da colheita do cacho e transformada em papel, cestos e peças decorativas.
- Cerâmica, com panelas e potes de barro.
- Capim dourado, trançado por comunidades do Jalapão, no Tocantins, entre elas a comunidade quilombola da Mumbuca.
- Bonecas de pano, entre elas a abayomi.
O artesanato no Quilombo da Fazenda
No Quilombo da Fazenda, em Ubatuba, o folheto de roteiros culturais da comunidade traz oficinas de artesanato com taboa, cestos e vassouras de cipó, arte com fibra de bananeira, bonecas abayomi e pintura de telha, ao lado de roda de conversa e visita à Casa da Farinha.
São materiais que fazem sentido no litoral norte: a taboa cresce nas áreas alagadas, o cipó vem da mata e a bananeira está em todo quintal. As oficinas dependem da agenda de quem ensina, então pergunte antes pelo WhatsApp (12) 99749-5020 quais estão disponíveis nas suas datas.
Bonecas abayomi
As abayomi são bonecas negras de pano feitas só com nós, sem cola e sem costura, geralmente com retalhos de tecido estampado. O nome é de origem iorubá e costuma ser traduzido como “encontro precioso” ou “aquele que traz felicidade”.
Circula muito a história de que mulheres africanas faziam essas bonecas com tiras das próprias saias nos navios negreiros, para acalmar as crianças. É uma história bonita, mas sem registro histórico. A abayomi como a conhecemos foi criada pela artesã Lena Martins no fim dos anos 1980, no movimento de mulheres negras. Isso não tira o seu valor: ela se tornou um símbolo de afeto, resistência e identidade, usado em escolas, oficinas e comunidades de todo o país.
Por que o artesanato importa
- Guarda saberes: saber onde colher a fibra, quando cortar, como secar e trançar é conhecimento acumulado por gerações.
- Gera renda sem sair do território, especialmente para mulheres e jovens.
- Conta histórias: cada peça carrega o jeito de uma comunidade.
- Depende da natureza preservada: sem mata, brejo e roça, não há fibra.
Como comprar artesanato quilombola com respeito
- Compre direto de quem faz ou da associação da comunidade, sempre que possível.
- Não pechinche. Uma peça trançada leva horas, às vezes dias.
- Pergunte a história da peça e o nome de quem fez, e dê o crédito quando postar.
- Desconfie de peças “étnicas” industrializadas, que copiam o estilo sem pagar a ninguém da comunidade.
Quer conhecer o quilombo de perto? Veja como funciona o turismo de base comunitária e leia sobre a cultura quilombola.



