Blog · Turismo
Turismo de base comunitária em quilombos: o que é e como visitar com respeito

No turismo de base comunitária, quem decide, organiza e recebe o visitante é a própria comunidade. Não há uma empresa de fora no meio: o monitor da trilha é morador, a comida é feita por famílias do lugar e o dinheiro fica no território. É assim que o Quilombo da Fazenda, em Ubatuba, recebe quem vem conhecer a comunidade.
O que é turismo de base comunitária
É um jeito de fazer turismo em que a comunidade é dona da experiência. Ela escolhe o que mostrar, como mostrar, quantas pessoas recebe e quanto cobra. O visitante não “consome” um lugar: ele é recebido por gente que mora ali e aprende com ela.
No Brasil, esse modelo cresceu em comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, caiçaras e de agricultores familiares, muitas vezes como alternativa a empreendimentos que ocupavam o território e deixavam pouco para quem vive nele.
Qual a diferença para o turismo comum
- Quem lucra: no turismo comum, boa parte do dinheiro vai para empresas de fora. No comunitário, fica com as famílias e com a associação.
- Quem conta a história: em vez de um guia que leu sobre o lugar, quem fala é quem nasceu e cresceu ali.
- O ritmo: grupos menores, agendados, respeitando o dia a dia da comunidade.
- O que se leva: mais do que fotos, conversas, comida e aprendizado.

Como funciona no Quilombo da Fazenda
O quilombo fica em Picinguaba, na costa norte de Ubatuba, dentro do Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar. A comunidade recebe visitantes com:
- Trilhas com monitores quilombolas pela Mata Atlântica, com paradas em rios e cachoeiras. Agende pelo WhatsApp (24) 99862-9263 e veja os roteiros.
- Culinária quilombola nos restaurantes Sabores do Quilombo, na Casa da Farinha e na Praia da Fazenda.
- Hospedagem em casas de família, combinada direto com cada anfitrião. Veja as casas.
O folheto de roteiros da comunidade também apresenta propostas gastronômicas (como a farinhada e a salada quilombola), ecológicas (como a visita à agrofloresta e trilhas como a do Jatobá e a da cachoeira) e culturais (como oficinas de artesanato, roda de conversa e visita à Casa da Farinha). A oferta muda ao longo do ano: pergunte pelo WhatsApp (12) 99749-5020 o que está disponível nas suas datas.
Como visitar um quilombo com respeito
- Combine antes. Trilha e hospedagem são agendadas. Chegar de surpresa atrapalha o dia de quem trabalha.
- Contrate monitores da comunidade. Eles conhecem a mata, garantem a segurança e são parte da renda local.
- Peça licença para fotografar pessoas, casas e celebrações.
- Não trate a cultura como show. Uma roda de jongo ou uma reza não acontecem para o turista; se for convidado, participe com respeito.
- Pague o preço justo, sem pechinchar comida, artesanato ou serviço.
- Cuide do território. Leve o lixo de volta e não retire plantas, sementes, conchas ou animais. Lembre que a área é parque estadual.
- Consuma da comunidade: restaurantes, hospedagem, artesanato e o ebook de receitas.
Um dia no quilombo
Uma sugestão para quem tem um dia: trilha pela manhã com um monitor, almoço com culinária quilombola na Casa da Farinha (almoço das 12h às 16h) ou na Praia da Fazenda (das 10h às 15h), tarde na praia ou no rio e, para quem fica, pizza na Casa da Farinha à noite (das 19h às 23h) e pernoite numa casa de família. Para o feriado de 20 de novembro, veja o roteiro de 3 dias.
Quer saber quais outras comunidades existem na cidade? Leia sobre os quilombos de Ubatuba.



