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Cultura quilombola: música, dança, festas, histórias e saberes

Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial, não é foto do Quilombo da Fazenda.
A cultura quilombola é o conjunto de saberes, músicas, danças, festas, crenças, histórias e jeitos de trabalhar que as comunidades de quilombo guardaram e reinventaram ao longo de séculos. Ela não é igual em todo lugar: cada quilombo tem as suas tradições. Mas em todos ela tem a mesma raiz, a ancestralidade africana, misturada com os saberes indígenas e com a terra onde cada comunidade vive.
O que forma a cultura quilombola
- Oralidade: a história, as rezas, as receitas e as regras da comunidade passam de boca em boca, dos mais velhos para os mais novos.
- Música e dança: tambores, rodas e cantos de origem africana, como o jongo, o samba de roda, o tambor de crioula e a congada, além de danças que surgiram do encontro com outras culturas.
- Festas e religiosidade: festas de santo, celebrações de colheita, religiões de matriz africana e o catolicismo popular convivem em muitas comunidades.
- Saberes da terra: a roça, as plantas medicinais, a pesca, a farinhada e o conhecimento da mata.
- Trabalho coletivo: os mutirões para plantar, colher, construir uma casa ou fazer farinha.
- Cozinha: receitas de família que guardam a memória, como contamos no post de culinária quilombola.
Jongo, ciranda e outras danças
O jongo é uma dança de roda com tambores, trazida por africanos de origem banta para as fazendas de café e de cana do Sudeste. Os pontos, versos cantados com duplo sentido, eram uma forma de se comunicar sem que os senhores entendessem. Em 2005, o jongo do Sudeste foi registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil.
A ciranda, roda em que todos dão as mãos, é muito presente no litoral entre Ubatuba e Paraty. Outras expressões afro-brasileiras também são patrimônio nacional, como a roda de capoeira, o samba de roda do Recôncavo Baiano e o tambor de crioula do Maranhão.

A cultura no Quilombo da Fazenda
No Quilombo da Fazenda, em Ubatuba, o grupo Ô de Casa, formado por adultos, jovens e crianças da comunidade, mantém vivas danças e ritmos como o jongo, a ciranda, o caranguejo e a arara, com pandeiro, atabaque, xequerê, triângulo e violão.
A canção “Sou Quilombo”, composta por Guilherme Euler Braga, fala da pesca, dos “Tambores da Fazenda”, da cozinha de Dona Laura nas festas, “fazendo azul-marinho e merluza bem fritinha”, e do livro de Tamara Oliveira sobre as tradições culturais da comunidade.
Os mais velhos também guardam histórias que atravessaram gerações: o som de um machado na mata à noite, sem árvore caída no dia seguinte; o arrastar de correntes pela estrada; e a Mãe de Ouro, uma tocha de fogo que cruzava o céu do quilombo de sete em sete anos e sumia no Morro do Registro. Essas histórias estão no Almanaque do Quilombo.
Cultura quilombola e pluralidade cultural brasileira
Muito do que se chama de cultura brasileira tem origem nos quilombos e nas comunidades negras: ritmos, palavras, comidas, festas e formas de organização coletiva. Reconhecer isso é parte do que a Lei 10.639/2003 pede às escolas, ao tornar obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira.
Mas a cultura quilombola não é só passado. As comunidades criam o tempo todo: músicas novas, receitas novas com ingredientes antigos, como o nhoque de banana verde com molho de juçara, e novas formas de receber visitantes pelo turismo de base comunitária.
Como valorizar a cultura quilombola
- Ouça quem vive a cultura: livros, vídeos e visitas organizadas pelas próprias comunidades.
- Dê crédito: ao usar uma música, uma receita ou uma imagem, diga de onde vem e quem fez.
- Compre direto das comunidades: comida, artesanato, turismo e publicações.
- Visite com respeito e só participe de celebrações quando for convidado.



