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Quilombo da Fazenda: a comunidade quilombola de Picinguaba, em Ubatuba

O Quilombo da Fazenda é uma comunidade quilombola da costa norte de Ubatuba, no litoral de São Paulo, no bairro de Picinguaba. Também conhecida como comunidade da Casa da Farinha, reúne cerca de 200 quilombolas e mais de 200 anos de história, luta e resistência, entre a Mata Atlântica e o mar.
Onde fica o Quilombo da Fazenda
A comunidade fica dentro do Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar, perto da divisa com Paraty (RJ). O acesso é pela Rodovia Rio-Santos (BR-101), na entrada da Casa da Farinha. É uma das regiões mais preservadas da Mata Atlântica, com rios de água cristalina, cachoeiras e a Praia da Fazenda logo ao lado.
Endereço: Estrada da Casa da Farinha, Quilombo da Fazenda, Picinguaba, Ubatuba (SP), CEP 11699-899. Veja o mapa e as fotos do caminho.
A história da comunidade
A região de Ubatuba foi território dos Tupinambá antes da chegada dos portugueses. Com a colonização, vieram as fazendas, trabalhadas por pessoas negras escravizadas. Durante o Ciclo do Ouro, a costa servia de passagem para a riqueza que descia pela Estrada Real até Paraty. Mais tarde, com o fechamento do porto de Ubatuba e a crise do café, muitas fazendas faliram.
A história do quilombo está ligada à antiga Fazenda Picinguaba. A proprietária morreu em 1884 e deixou em testamento o desejo de que as pessoas escravizadas fossem libertas e pudessem morar em partes da fazenda. Foi ali que as famílias ficaram, plantaram, pescaram e criaram seus filhos, geração após geração.
Em 2005, a comunidade foi reconhecida pela Fundação Cultural Palmares como remanescente de quilombo. A organização é feita pela Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo da Fazenda. Para entender o que isso significa, leia o que é um quilombo.
A Casa da Farinha
A Casa da Farinha é o coração da comunidade. É onde a mandioca vira farinha do jeito antigo: descascada, ralada, prensada e torrada no forno. A roda d'água e as estruturas de madeira guardam a memória do trabalho das famílias, e hoje o espaço também abriga o restaurante Sabores do Quilombo – Casa da Farinha.
Cultura, música e lendas
O grupo Ô de Casa, formado por adultos, jovens e crianças, mantém vivas as danças e ritmos tradicionais, como o jongo, a ciranda, o caranguejo e a arara. A canção “Sou Quilombo” fala da pesca, dos tambores e da cozinha de Dona Laura, que fazia azul-marinho e merluza bem fritinha nas festas da Fazenda.
Os mais velhos contam histórias que atravessaram gerações, como a da Mãe de Ouro, uma tocha de fogo que cruzava o céu do quilombo de sete em sete anos. Essas e outras histórias estão no Almanaque do Quilombo.
A comida do Quilombo da Fazenda
A culinária da comunidade junta a herança africana com os saberes caiçaras e indígenas. Os ingredientes vêm da mata e do mar: juçara, taioba, banana verde, palmito pupunha, mandioca e peixe fresco. Pratos como o azul-marinho, o virado de banana e a moqueca com juçara fazem parte da mesa da comunidade e do cardápio dos dois restaurantes, na Casa da Farinha e na Praia da Fazenda.
Como visitar o Quilombo da Fazenda
O quilombo trabalha com turismo de base comunitária: quem recebe, guia e cozinha é a própria comunidade. Para aproveitar:
- Trilhas e cachoeiras: agende um monitor quilombola pelo WhatsApp (24) 99862-9263 e veja os roteiros.
- Restaurantes: almoce na Casa da Farinha (petiscos das 9h às 12h, almoço das 12h às 16h e pizza das 19h às 23h) ou na Praia da Fazenda (das 10h às 15h).
- Hospedagem: durma na casa de uma família quilombola. Veja as casas para hospedagem e fale direto com cada anfitrião.
- Apoie: o projeto de educação ambiental das crianças quilombolas recebe doações pelo PIX.



