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Dandara dos Palmares: quem foi a guerreira de Palmares e companheira de Zumbi

Ilustração de uma menina negra quilombola na casa de farinha, com mandioca, peneira e cestos de farinha

Dandara dos Palmares é lembrada como guerreira do Quilombo dos Palmares e companheira de Zumbi. Sua história chegou até nós pela memória do povo negro, e em 2019 seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Hoje ela é um dos maiores símbolos da força das mulheres negras no Brasil.

Quem foi Dandara

Pela tradição, Dandara viveu em Palmares no século XVII, foi companheira de Zumbi e mãe de seus filhos. Ela plantava, trabalhava na produção de farinha de mandioca, dominava a capoeira e lutou ao lado dos homens na defesa do quilombo. Também é lembrada como conselheira de Zumbi e como uma das vozes contra o acordo de paz de 1678, que não libertava todos os palmarinos.

O que se sabe e o que é tradição

É importante ser honesto sobre isso: os documentos coloniais conhecidos sobre Palmares, escritos por quem combatia o quilombo, não citam Dandara pelo nome. Não há registro da data do seu nascimento nem dos detalhes da sua vida.

Isso não quer dizer que ela não tenha existido. Quase tudo o que se escreveu sobre Palmares na época veio dos colonizadores, que pouco se interessavam pela vida das mulheres do quilombo. A história de Dandara foi guardada de outro jeito: contada de geração em geração, na memória popular e no movimento negro, e mais tarde em livros, cordéis e escolas. Por isso, muitos pesquisadores falam de Dandara como uma figura da memória e da tradição oral, e é assim que contamos a sua história aqui.

A morte de Dandara

A tradição conta que, quando a Cerca Real do Macaco, capital de Palmares, foi destruída em 1694, Dandara foi cercada pelas tropas coloniais e preferiu se jogar de uma pedreira a voltar à escravidão. Como o resto da sua vida, esse episódio não aparece nos documentos da época, mas virou um dos símbolos mais fortes da recusa à escravidão.

Dandara no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

A Lei 13.816, de 24 de abril de 2019, inscreveu os nomes de Dandara dos Palmares e de Luiza Mahin no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, que fica no Panteão da Pátria, em Brasília. Zumbi já estava no livro desde 1996. O reconhecimento foi uma conquista do movimento de mulheres negras, que há décadas lembra que a luta nos quilombos também foi feita por elas.

Dandara e outras mulheres da resistência

  • Tereza de Benguela: liderou o Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso, no século XVIII. O 25 de julho é o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Leia mais na história dos quilombos no Brasil.
  • Luiza Mahin: lembrada pela participação nas revoltas de pessoas escravizadas na Bahia, no século XIX, e inscrita no Livro dos Heróis junto com Dandara.
  • As mulheres dos quilombos de hoje: são elas que, em muitas comunidades, presidem associações, guardam as rezas, as plantas medicinais e as receitas.

O legado de Dandara nos quilombos

A Dandara que a tradição lembra plantava, fazia farinha e defendia a comunidade. Essa imagem é muito próxima da vida das mulheres quilombolas até hoje. No Quilombo da Fazenda, em Ubatuba, são as mulheres que estão à frente da cozinha dos restaurantes da comunidade e que ensinam às crianças como se faz a farinha na Casa da Farinha. As receitas que elas aprenderam com as mães e avós estão no ebook Sabores do Quilombo.

No 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, lembrar Dandara é lembrar que a liberdade foi conquistada por homens e mulheres.

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Perguntas frequentes

Quem foi Dandara dos Palmares?

Dandara é lembrada como guerreira do Quilombo dos Palmares e companheira de Zumbi, no século XVII. Pela tradição, plantava, fazia farinha, lutava capoeira e participou da defesa do quilombo.

Dandara existiu mesmo?

Os documentos coloniais conhecidos sobre Palmares não citam Dandara pelo nome. Sua história foi guardada pela memória popular e pelo movimento negro, e muitos pesquisadores a tratam como uma figura da tradição oral.

Como Dandara morreu?

A tradição conta que, na destruição da capital de Palmares, em 1694, ela preferiu se jogar de uma pedreira a voltar à escravidão. O episódio não aparece nos documentos da época.

Quando Dandara entrou no Livro dos Heróis da Pátria?

Em 2019, pela Lei 13.816, de 24 de abril de 2019, junto com Luiza Mahin.

Qual a relação entre Dandara e Zumbi?

A tradição lembra Dandara como companheira de Zumbi, mãe de seus filhos e sua conselheira na luta de Palmares.

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