Blog · História
Quilombo dos Palmares: o que foi, onde fica a Serra da Barriga e como visitar hoje

O Quilombo dos Palmares foi a maior e mais duradoura comunidade de pessoas que resistiram à escravidão nas Américas. Ficava na Serra da Barriga, na antiga capitania de Pernambuco, onde hoje é o município de União dos Palmares, em Alagoas, e resistiu por quase um século, no século XVII.
Palmares em resumo
- Onde: Serra da Barriga e serras vizinhas, no atual estado de Alagoas, a cerca de 80 km de Maceió.
- Quando: do fim do século XVI ou início do XVII até o fim do século XVII, com mocambos resistindo até o começo do XVIII.
- Tamanho: vários mocambos ligados entre si, com milhares de moradores. Algumas estimativas falam em até 20 mil pessoas no auge.
- Líderes mais conhecidos: Ganga Zumba e Zumbi; na memória popular, também Dandara.
- Fim: a capital, a Cerca Real do Macaco, foi destruída em 1694, e Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695.
Por que se chamava Palmares
O nome vem das muitas palmeiras que cobriam a região. Palmares não era uma aldeia só, mas um conjunto de mocambos, povoados espalhados pelas serras, cada um com seu chefe. O mais importante era a Cerca Real do Macaco, a capital. Curiosamente, os documentos mais antigos chamam Palmares de mocambos; a palavra quilombo aparece para Palmares nos registros a partir de 1680.
Como era a vida em Palmares
Palmares não era só um esconderijo. Era uma sociedade organizada, que vivia do próprio trabalho:
- Roças de milho, mandioca, feijão, batata e cana, que davam comida para todos.
- Coleta e caça na mata, inclusive dos frutos e do óleo das palmeiras.
- Ofícios como cerâmica, cestaria e trabalho com metal.
- Comércio com moradores das vilas vizinhas, trocando alimentos por ferramentas, tecidos e armas.
- Diversidade: viviam ali africanos de várias origens, nascidos no Brasil, e também indígenas e pessoas pobres livres.
Essa base na roça e na farinha de mandioca é a mesma que sustenta muitos quilombos até hoje, como mostramos no post sobre a culinária quilombola.
As guerras contra Palmares
Durante décadas, o governo colonial, e por um tempo também os holandeses que ocuparam Pernambuco, mandaram expedições contra Palmares. Nos anos 1670, os ataques destruíram mocambos importantes e levaram ao acordo de 1678, aceito por Ganga Zumba: liberdade para os nascidos em Palmares e terras no Cucaú, em troca da obediência à Coroa. Zumbi recusou, ficou na Serra da Barriga e assumiu a liderança.
A guerra continuou até 1694, quando tropas comandadas pelo bandeirante Domingos Jorge Velho destruíram a Cerca Real do Macaco. Zumbi resistiu até 1695. Os últimos mocambos de Palmares só foram desfeitos no começo do século XVIII.
O que os historiadores descobriram
Por mais de um século, quase tudo o que se sabia sobre Palmares vinha de poucos documentos, publicados em uma transcrição de 1859 com erros de nomes e palavras. Pesquisas recentes com os manuscritos originais, como a da historiadora Silvia Hunold Lara, corrigiram datas e nomes. Uma delas: o líder conhecido como Ganga Zumba aparece nos documentos como Gana Zumba. A história de Palmares, portanto, ainda está sendo escrita.
Como visitar a Serra da Barriga hoje
O lugar onde ficava a capital de Palmares pode ser visitado. A Serra da Barriga foi tombada pelo Iphan em 1985, declarada Monumento Nacional em 1988 e reconhecida como Patrimônio Cultural do Mercosul em 2017. No alto da serra fica o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, inaugurado em 2007, com reconstituições de construções do quilombo e espaços de memória.
O parque fica perto da cidade de União dos Palmares, a cerca de 80 km de Maceió. Todo 20 de novembro, a serra recebe celebrações do Dia da Consciência Negra. Antes de ir, confira os horários de funcionamento com a administração do parque.
Palmares e os quilombos de hoje
Palmares é o mais famoso, mas não foi o único. Houve quilombos em quase todo o Brasil, e milhares de comunidades quilombolas existem até hoje, como as comunidades de Ubatuba. Se você não pode ir até Alagoas, pode visitar um quilombo perto de você, como o Quilombo da Fazenda, no litoral norte de São Paulo.



