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O que é um quilombo? Significado, origem e como vivem os quilombolas hoje

Roda de ciranda com crianças e adultos da comunidade em frente a uma casa no Quilombo da Fazenda

Um quilombo é uma comunidade formada por pessoas negras que resistiram à escravidão no Brasil, e também as comunidades que descendem delas e vivem até hoje nos seus territórios. Quem vive em um quilombo é chamado de quilombola. Neste texto, escrito por quem mora em um, explicamos o significado da palavra, a origem dos quilombos e como eles vivem hoje.

Significado da palavra quilombo

A palavra quilombo vem de kilombo, termo das línguas bantas faladas na região de Angola, de onde vieram muitos africanos escravizados trazidos ao Brasil. Em sua origem, kilombo nomeava um acampamento e também uma sociedade de guerreiros, um lugar de união e de defesa.

No Brasil, a palavra passou a designar os territórios livres criados por pessoas que fugiam das fazendas, dos engenhos e das minas. Por isso, desde cedo, quilombo virou sinônimo de resistência.

Como os quilombos surgiram no Brasil

Durante mais de 300 anos, milhões de africanos foram trazidos à força para o Brasil e escravizados. Onde houve escravidão, houve fuga, revolta e organização. Pessoas escravizadas fugiam para as matas, serras e lugares de difícil acesso e ali construíam casas, roças e uma vida em comunidade.

A administração colonial chegou a definir quilombo, em 1740, como “toda habitação de negros fugidos que passem de cinco, em parte despovoada”. Mas os quilombos eram muito mais do que esconderijos: plantavam, pescavam, faziam comércio com vizinhos, guardavam a fé e as festas africanas e acolhiam também indígenas e pessoas pobres livres.

O mais famoso foi o Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, que resistiu por quase um século e teve Zumbi como líder. Mas existiram quilombos em praticamente todas as regiões do país.

Nem todo quilombo nasceu de uma fuga

Muitas comunidades quilombolas surgiram de outros caminhos: terras doadas ou deixadas em testamento para pessoas escravizadas, terras compradas por famílias libertas, áreas ocupadas depois do fim das fazendas. É o caso do Quilombo da Fazenda, em Ubatuba: a dona da antiga Fazenda Picinguaba deixou em testamento, em 1884, o desejo de que as pessoas que ela escravizava fossem libertas e pudessem morar em partes da fazenda.

O que une todas essas histórias é a ancestralidade negra, a ligação com a terra e a luta para permanecer nela.

O que é ser quilombola hoje

Quilombola é a pessoa que pertence a uma comunidade remanescente de quilombo. A Constituição de 1988 reconheceu, no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o direito dessas comunidades à propriedade das terras que ocupam. Desde 2003, a identidade quilombola é definida pela autoatribuição: é a própria comunidade que se reconhece como quilombola.

O reconhecimento oficial começa com a certidão da Fundação Cultural Palmares. Depois vem a titulação do território, feita pelo Incra ou, em alguns estados como São Paulo, por órgãos estaduais. O Quilombo da Fazenda, por exemplo, foi reconhecido pela Fundação Palmares em 2005.

Pela primeira vez, o Censo 2022 do IBGE contou a população quilombola: cerca de 1,3 milhão de pessoas se declararam quilombolas, a maior parte delas no Nordeste.

Como vivem as comunidades quilombolas

Cada quilombo tem seu jeito, mas muitos compartilham alguns traços:

  • Vida em família e em comunidade: as casas, as roças e as festas são de todos, e as decisões são tomadas em associação.
  • Roça e saberes tradicionais: a mandioca, o milho, o feijão, as plantas medicinais e o conhecimento da mata passam de geração em geração.
  • Cultura viva: jongo, ciranda, capoeira, samba de roda, congada, as rezas e as histórias contadas pelos mais velhos.
  • Culinária própria: pratos feitos com o que a terra e a água oferecem, como mostramos no post sobre a culinária quilombola.
  • Luta pelo território: a titulação da terra continua sendo a principal pauta de muitas comunidades.

Hoje, muitos quilombos também vivem do turismo de base comunitária, em que o visitante é recebido pela própria comunidade, come na casa de quem cozinha e anda pela mata com quem a conhece. É assim no Quilombo da Fazenda, com trilhas com monitores quilombolas, restaurante e hospedagem em casas de família.

Quilombo e quilombola: resumo rápido

  • Quilombo: comunidade negra formada na resistência à escravidão, e o território onde vivem seus descendentes.
  • Quilombola: quem pertence a uma comunidade de quilombo.
  • Remanescente de quilombo: termo usado na lei para as comunidades que existem hoje.
  • Origem da palavra: kilombo, das línguas bantas de Angola.
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Perguntas frequentes

O que significa a palavra quilombo?

Quilombo vem de kilombo, palavra das línguas bantas de Angola que nomeava um acampamento ou uma sociedade de guerreiros. No Brasil, passou a nomear as comunidades formadas por pessoas negras que resistiram à escravidão.

Qual a diferença entre quilombo e quilombola?

Quilombo é a comunidade e o território. Quilombola é a pessoa que pertence a essa comunidade.

Ainda existem quilombos no Brasil?

Sim. Existem milhares de comunidades quilombolas em todo o país, e o Censo 2022 do IBGE contou cerca de 1,3 milhão de pessoas quilombolas.

Dá para visitar um quilombo?

Sim, em comunidades que trabalham com turismo de base comunitária, como o Quilombo da Fazenda, em Ubatuba (SP), que recebe visitantes com trilhas, restaurante e hospedagem. Combine a visita antes com a comunidade.

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